Análise Econômica da Tragédia

7 de maio de 2020

Luigi Zingales foi duramente criticado após escrever um artigo  com uma previsão bem pessimista sobre os gastos que o governo americano terá se não realizar efetivamente o Lock Down, estimando na órbita de 65 trilhões de dólares.

Zingales é professor de economia na Universidade de Chicago; também acompanho seu trabalho no podcast Capitalisn’t , cuja plataforma me levou à leitura do artigo mencionado.

Não querendo entrar na polêmica discussão sobre os custos previstos por ele, alguns dados em seu artigo me chamaram a atenção.   A porcentagem das pessoas que morrem em um sistema de saúde saturado é muito maior do que em relação ao sistema sob normais condições.

Na cidade chinesa de Wuhan, quando o sistema de saúde ficou congestionado o percentual de mortes em relação ao total de infectados foi de 4,5%, enquanto as demais cidades da china que não estavam com os hospitais cheios ficaram na média de 0,9%. Já na região italiana da Lombardia, a porcentagem de mortos foi de 8,1%, enquanto no resto da Itália, com o sistema menos congestionado, a média foi de 3,7%.

Sua indagação foi por que as democracias ocidentais levaram tanto tempo para estabelecer o Lock Down? E eu questiono, sabendo que a Lombardia é uma das regiões mais ricas do mundo, o Brasil, país com um sistema de saúde precário, tem capacidade para flexibilizar a quarentena e já é o momento? A inclinação das curvas que demonstram o índice de contaminados e de mortes não diminuiu, está sim aumentando.  Sem mencionar que somos um dos países com mais mortes que realiza menos testes.

Uma análise empírica, sem rodar qualquer método regressivo de correlação entre as variáveis, foi verificado que, após a abertura do comércio em Blumenau, o índice de contaminados pelo novo Coronavírus aumentou em 160%, tamanho o seu potencial de contágio.
 
Ocorre que não só os governos começaram a flexibilizar a quarentena, mas o povo já sentiu que era a hora de sair de casa, em grande parte das vezes sem um propósito extremamente necessário. Não precisa procurar muito para ver, a título de exemplo, pessoas praticando atividades físicas em locais onde possuem faixas gigantes de “interditado, proibida a prática de esportes no local”.

Inventaram para o arrepio dos teóricos uma dicotomia, “Economia x Saúde”, como se fossem sistemas antagônicos e não diretamente correlatos, como sempre se foi estudado pelas ciências econômicas. Zingales escreveu o artigo em 13 de março, muito antes dos Estados Unidos chegar ao número de 60 mil mortos.

Em conclusão, seguindo a linha de pensamento de Zingale, a tragédia econômica será muito maior com uma política atrasada de lock down e uma flexibilização antecipada, no caso do Brasil, do que um hipotético benefício a curto prazo de uma abertura de certas atividades. Infelizmente, o vírus é um impedimento externo, grande parte da atividade produtiva já foi afetada, lutar contra o vírus sem um remédio ou uma vacina trará mais malefícios.   

Thalles Takada é mestre em Direito, especialista em Direito internacional e econômico, bacharel em Economia, sócio do Escritório Takada e Resstel Advogados Associados, professor e coordenador do MBA em Comércio Exterior – Unifil Londrina.

[1] ZINGALES, Luigi. Captured Western Governments Are Failing the Coronavirus Test. Disponível em: https://promarket.org/captured-western-governments-are-failing-the-coronavirus-test/. Acessado em:  09/04/2020.

[1] ZINGALES, Luigi. WALDOCK, Kate. Capitalisn’t. Disponível em: https://www.capitalisnt.com/.

[1]CATUCCI ,Anaísa. HOLLAND, Carolina. MARTINS, Valéria. Casos de coronavírus mais que dobram em Blumenau após volta do comércio. Disponível em: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2020/04/29/casos-de-coronavirus-mais-que-dobram-em-blumenau-apos-volta-do-comercio.ghtml. Acessado em: 29/04/2020.

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